Dou por mim a reflectir demoradamente sobre o que leva as pessoas a agir de certa maneira, e sobre a nossa responsabilidade ao interferirmos em casos deste género.
Pensei que o mundo seria muito mais simples se a vida se resumisse a preto e branco, se apenas estivese em causa recompensar os bons, punir os maus e dar ajuda aos que a mereciam.
Contudo, não é assim. Existe o cinzento. Todos nós temos partes boas e más, todos merecemos umas vezes e outras, não. A nossa luta resume-se frequentemente à consciência que temos do inevitável, de como as coisas são.
Ao longo deste tempo, em que tento entender o comportamente complexo dos outros, concluo a importância de saber que ninguém é infeliz por opção. Os seres infelizes não reconhecem realmente uma forma de deixar de sê-lo. E isso é verdade, até mesmo nas situações em que, se as encarassem de uma forma mais objectiva, descobririam facilmente onde estão os erros.
Mas nem sempre cumprimos isso. Nem sempre torna-mos as coisas fáceis e decidimos ir pelos caminhos com mais obstáculos. E então? Acho que isso não é apenas uma escolha, se isso acontece, talvez seja obra do destino. É claro que somos nós quem forma o nosso próprio destino, somos nós quem escolhe as opções que tomamos, sejam elas correctas ou erradas, e depois, havemos de dar a volta à situação, tornando-a ainda mais correcta, ou melhor.

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