Quero-te mais presente do que nunca. Quero-te mais ausente do que nunca. Quero apagar todo o caos que causaste de modo a que tudo volte a ser o que era. Mas ao mesmo tempo quero forçar-me a lembrar do quão tóxico te tornaste. Não quero mais ser prisioneira de um amor tão negro quanto este. Se um dia tive esperança de um futuro risonho contigo, hoje tenho apenas a esperança de que um dia possa esquecer que durante tantos anos esse foi o meu sonho. Tu foste o meu sonho. E como é suposto eu conseguir ignorar o que fez parte de mim durante tantos anos? Ensina-me, porque sempre dominaste tão bem essa arte de me esquecer por completo.
Sei que, por um lado, a culpada do nosso presente sou eu. Um presente onde não nos pertencemos. Um futuro onde nunca mais nos voltaremos a pertencer. Mas então, porque é que secretamente guardo o desejo de que, no final de tudo, possamos voltar a ter o amor eterno que sempre nos fez enfrentar todas as adversidades? Relembra-me de tudo isso, por favor. Relembra-me do quão é bom amar-te com todas as forças, e ser amada da mesma maneira. Não. Não. Não mo relembres, senão tornar-me-ei prisioneira eterna desse teu amor. Quero ser livre. Livre para amar. Livre para esquecer que um bocadinho de mim será sempre teu. Livre para esquecer que estarás sempre presente no meu coração, no meu pensamento e na minha definição de amor. Foste tu, o primeiro e último amor da minha vida. Um amor eternamente ausente. Porque quero-te tanto quanto não te quero.
Deixaste o meu coração partido ao ponto de não conseguir voltar a amar alguém como em tempos te amei a ti. Deixas-te damaged ao ponto de não permitir que se aproximem de mim como tu te aproximaste. E sei, a culpa é minha por permitir que o teu desejo de me ter para sempre se realize. Serei sempre tua, e tu serás sempre meu, mas eu não sei nem quero saber lidar com isso. Por isso foge. Deixa-me livre. Deixa-me ser e deixa-me estar.
Dum amor que será eternamente teu.
Sem comentários:
Enviar um comentário