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22/10/17

Um amor eternamente ausente.

 Tenho saudades da pessoa que fui em tempos. A pessoa que te pertencia a 100%, sem dúvidas, sem medos. Sei que já não escrevo sobre ti, nem para ti, há demasiado tempo.. Talvez por isso me sinta tão consumida por estes pensamentos que pairam eternamente na minha cabeça. Por mais que tente, por mais feliz que me sinta, há sempre uma peça do puzzle a faltar. Ao fim de um ano a ignorar a tua presença, ou ausência, chego à conclusão que essa peça és tu. Não sei porque me mantens prisioneira desse teu amor tóxico. Deixa-me ser livre de ti. Deixa-me ser feliz. Sei que já não faço parte da tua vida, sei que provavelmente não pensas sequer em mim, no caco em que me deixaste e no quanto me destruíste. E eu quero ser assim, como tu. Quero conseguir ignorar todos estes anos que me consumiram e quero conseguir fingir que nunca exististe na minha vida.. Mas por alguma razão isso não acontece, passe o tempo que passar.
 Quero-te mais presente do que nunca. Quero-te mais ausente do que nunca. Quero apagar todo o caos que causaste de modo a que tudo volte a ser o que era. Mas ao mesmo tempo quero forçar-me a lembrar do quão tóxico te tornaste. Não quero mais ser prisioneira de um amor tão negro quanto este. Se um dia tive esperança de um futuro risonho contigo, hoje tenho apenas a esperança de que um dia possa esquecer que durante tantos anos esse foi o meu sonho. Tu foste o meu sonho. E como é suposto eu conseguir ignorar o que fez parte de mim durante tantos anos? Ensina-me, porque sempre dominaste tão bem essa arte de me esquecer por completo. 
 Sei que, por um lado, a culpada do nosso presente sou eu. Um presente onde não nos pertencemos. Um futuro onde nunca mais nos voltaremos a pertencer. Mas então, porque é que secretamente guardo o desejo de que, no final de tudo, possamos voltar a ter o amor eterno que sempre nos fez enfrentar todas as adversidades? Relembra-me de tudo isso, por favor. Relembra-me do quão é bom amar-te com todas as forças, e ser amada da mesma maneira. Não. Não. Não mo relembres, senão tornar-me-ei prisioneira eterna desse teu amor. Quero ser livre. Livre para amar. Livre para esquecer que um bocadinho de mim será sempre teu. Livre para esquecer que estarás sempre presente no meu coração, no meu pensamento e na minha definição de amor. Foste tu, o primeiro e último amor da minha vida. Um amor eternamente ausente. Porque quero-te tanto quanto não te quero.
 Deixaste o meu coração partido ao ponto de não conseguir voltar a amar alguém como em tempos te amei a ti. Deixas-te damaged ao ponto de não permitir que se aproximem de mim como tu te aproximaste. E sei, a culpa é minha por permitir que o teu desejo de me ter para sempre se realize. Serei sempre tua, e tu serás sempre meu, mas eu não sei nem quero saber lidar com isso. Por isso foge. Deixa-me livre. Deixa-me ser e deixa-me estar.
 
 Dum amor que será eternamente teu. 

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